Quando falamos em valuation, a tradição sempre nos aponta para indicadores financeiros: receita, crescimento, margem e lucro. No entanto, temos constatado uma mudança estrutural silenciosa. O valor real de uma empresa em 2026 começa a ser identificado por algo mais amplo, profundo e, principalmente, humano. A pergunta que ecoa cada vez mais forte é simples: como realmente medir o valor de pessoas e relações dentro das organizações?
O que muda no valuation: olhar para além dos números
Durante anos, mensurar o valor de empresas se resumiu a contas matemáticas. O capital humano era visto como um custo “necessário”. Mas, em nossas experiências e pesquisas, percebemos uma transformação: o valuation humano procura enxergar o impacto positivo e sustentável gerado pelas pessoas dentro e fora da empresa.
Em 2026, temos notado que empresas líderes de impacto genuíno pensam diferente. O foco mudou para critérios que garantem longevidade, engajamento e legado. O lucro não sai da equação, mas deixa de ser o único ponto focal. Olhamos para elementos que não aparecem nos demonstrativos, mas que decidem o futuro: sentimento de pertencimento, propósito, confiança, ética e maturidade nas relações.
Valor de verdade nasce das pessoas. O resto é consequência.
Os principais critérios do valuation humano
Vamos listar os principais pontos que, na nossa visão, configuram o novo valuation humano. Eles já ganham força em processos seletivos de empresas, negociações entre sócios, avaliações internas e, principalmente, em decisões estratégicas de liderança. Aqui estão alguns deles:
- Ambiente psicológico seguro: Espaço para diálogo, criatividade, aprendizado e honestidade sem medo de retaliação.
- Sentido e propósito: Clareza sobre o porquê e o para quê, alinhando valores entre colaboradores e organização.
- Qualidade das relações: Nível de confiança, transparência, respeito e cooperação. Relações doentes fragilizam tudo.
- Bem-estar: Promoção ativa de equilíbrio emocional, saúde mental e inclusão.
- Desenvolvimento contínuo: Aprendizado constante, foco em evoluir além das habilidades técnicas.
- Clima ético: Posturas alinhadas com integridade e responsabilidade, mesmo sob pressão por resultados.
- Impacto social e ambiental: Capacidade de gerar valor para a sociedade e planeta, não só para acionistas.
Empresas que buscam resultado com respeito genuíno pelos outros, colhem frutos consistentes. Essa prática inspira, retém talentos e impulsiona inovação contínua.

Por que o valuation humano ganha mais força em 2026?
Podemos observar três grandes movimentos.
- Pessoas querem sentido: Profissionais questionam não só o que fazem, mas para quem, com quem e qual legado estão construindo. Empresas reflexivas e transparentes ganham destaque.
- Consciência coletiva: A sociedade passou a cobrar responsabilidade social e ambiental nos negócios. Impacto vai além do que é vendido; envolve como se vende, quem participa e que consequências ficam.
- Liderança amadurecida: Líderes que integram maturidade emocional, visão sistêmica e comunicação ética criam ambientes que geram resultados sem romper com pessoas nem valores.
Essas mudanças não vêm só do topo. Equipes, investidores, clientes e até comunidades locais passaram a exigir novos critérios para chamar uma empresa de referência. Esse movimento é natural, inteligente e sinaliza o futuro do trabalho.
Como medir o valuation humano na prática?
Não existe fórmula mágica. Mas há caminhos realistas para avançar nessa mensuração. O segredo está em combinar números e critérios qualitativos.
- Pesquisas de clima e engajamento: Elas vão além da satisfação. Apontam senso de pertencimento, clareza de propósito e abertura para conversas difíceis.
- Índices de retenção e turnover: Altos índices de rotatividade indicam ausência de sentido ou problemas na cultura interna.
- Avaliação de liderança: Não basta medir performance; é preciso olhar para inteligência emocional, cuidado com pessoas, ética e coragem nas decisões.
- Indicadores de saúde mental: Acompanhamento de faltas, afastamentos, pedidos de licença e relatos de exaustão mostram a parte invisível do trabalho.
- Impacto social documentado: Projetos, voluntariado, inclusão social e ambiental trazem números concretos para o valor gerado além do lucro.
O invisível move o visível. O valuation humano mede o que sustenta o resultado.
Quais são os desafios para adotar esse olhar?
Reconhecemos que existem resistências. Ainda há quem pense que “gente é custo” ou que “lucro é suficiente”. O imediatismo concorre muito com visões de longo prazo. Avaliar pessoas, cultura e relações pede tempo, escuta e compromisso.
Mas, quando o debate chega ao conselho, nas reuniões estratégicas ou mesmo entre líderes de times pequenos, a diferença é perceptível. Empresas que medem e valorizam fatores humanos tomam melhores decisões, antecipam crises e protegem sua reputação.

Por onde começar a transformação?
Sugerimos algumas atitudes práticas como primeiro passo:
- Desenvolver espaços de diálogo em todos os níveis, inclusive onde há desconforto.
- Fomentar avaliações de equipes com critérios de cultura, confiança e ética.
- Reconhecer publicamente comportamentos alinhados aos valores humanos da empresa.
- Criar métricas transparentes sobre saúde, diversidade, inclusão e impacto social.
- Buscar formação continuada de lideranças, com ênfase em maturidade emocional e consciência social.
Com pequenas ações, criamos um ambiente fértil para resultados sólidos e relações sustentáveis.
Conclusão: o futuro já está batendo à porta
Chegamos a um novo patamar de entendimento sobre o que é realmente valioso em uma empresa. O valuation humano não elimina o lucro, mas aponta para um cenário em que o resultado financeiro é fruto de relações saudáveis, sentido coletivo e responsabilidade social. Quem faz esse movimento, na nossa vivência, conquista reputação, confiança e longevidade.
O maior valor de uma organização, agora e em 2026, é a qualidade do impacto humano que ela gera.
Perguntas frequentes sobre valuation humano
O que é valuation humano?
O valuation humano é o método de avaliar o valor de uma empresa considerando critérios que vão além do lucro financeiro, focando em aspectos como ambiente de trabalho, relações, ética, saúde mental, propósito e impacto social. Mede o que sustenta resultados ao longo do tempo.
Quais critérios vão além do lucro?
Critérios que vão além do lucro incluem clima organizacional, bem-estar psicológico, engajamento de equipes, qualidade das relações, alinhamento de propósito, ética nas decisões, promoção da inclusão e impacto social e ambiental, como projetos de voluntariado e diversidade.
Como calcular o valuation humano?
Não existe um cálculo fixo. Usamos uma combinação de pesquisas internas, indicadores de clima e engajamento, índices de retenção, avaliações de liderança, saúde mental, análises de impacto social e feedbacks recorrentes para construir um retrato fiel do valor humano da empresa.
Valuation humano vale a pena?
Sim. Empresas que dão atenção ao valuation humano obtêm mais inovação, retenção de talentos, prevenção de crises e maior reputação. A visão de futuro e a sustentabilidade tornam-se diferenciais, trazendo retorno financeiro prolongado.
Onde aplicar valuation humano em empresas?
O valuation humano pode ser aplicado em processos de fusão e aquisição, atração de investimentos, desenvolvimento de lideranças, programas de cultura, avaliação de clima, estratégias de retenção, planejamento sucessório e em todas as decisões onde pessoas sejam centrais para o negócio.
